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Manifesto
Luís Castro (Director da KARNART, Actor, Produtor e Autor)


Por que variadíssimas razões sinto tão vitalmente necessidade de tomar uma posição pública relativamente às questões dos direitos dos cidadãos marginalizados pelas suas orientações sexuais nas sociedades portuguesa e mundial?
Porque sou um deles; desde que me sinto e observo enquanto ser humano que me acompanham visões e anseios relativos a imagens de sexo, sobretudo de sexo masculino. Porque desde cedo percebi que esse desejo, essa vontade, essa apetência, poderiam ser alvo de agressão – física ou emocional –, de exclusão, de vergonha ou de solidão. Porque fui obrigado a viver os principais anos do meu crescimento e da minha educação mimetizado, e agrilhoado a um terrível sentimento de culpa e “pecado”, essa maldita palavra, esse castrante conceito impostor! Porque percebo que o tempo passou e todas as conquistas que me aligeiraram a juventude e lhe deram um colorido especial prometendo uma sociedade mais livre, responsável e justa, desapareceram escorraçadas pelo fenómeno sida e pelo conservadorismo moral que de imediato pululou, a coberto de togas, mantilhas e batinas, qual trepadeira oportunista em embondeiro de nobres porte e idade. Porque me cruzo no meu dia-a-dia de criador com dezenas de homossexuais de diferentes áreas artísticas, apagados, fundidos. E finalmente porque percebo que novas gerações de homossexuais vão brotando no mesmo medo, na mesma vergonha, na mesma castração.
Não pretendo com este testemunho-manifesto estafar o já costumeiro e confortável dizer-mal de Portugal, ou afirmar que se o Dantas é português eu quero ser espanhol – dado o crescente número de dantas da minha geração a assumir cargos de importância pública, tão incompetentes e num-olhar-de-palas-apenas-experientes como o escritor que em Almada tanta raiva fazia nascer no início do século passado.
Pretendo contribuir para que se repense a sociedade portuguesa ao abrigo de valores reais. Valores de verdade, de justiça e de equidade. Reais! Valores tão básicos como os que tentam hoje proteger o nosso tão violado querido planeta.
Não podemos continuar a fechar os olhos às alterações climáticas, a contribuir para guerras manipuladoras, interesseiras e egoístas, a dizer sim à violência doméstica ou ao abuso infantil, a segregar cidadãos pela cor da pele ou pelas opções sexuais, a violar os direitos dos animais, a extinguir espécies animais e vegetais, e a transformar este planeta azul numa imensa esfera cinzenta de poluição e fogo. Abramos os olhos, não sejamos bárbaros. Pode haver ainda tantas gerações à nossa frente!


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