PortugalPride.org In EnglishIn EnglishEn EspañolEn Español
 Índice :: el gê bê tê 2003 :: 28 de Junho: Orgulho de Quê?

clique aqui para versão pronta a imprimirNão Diga que Não Vê
28 de Junho: Orgulho de Quê?
Nós, activistas lésbicas, gays, bisexuais, transgéneros (LGBT) e outr@s rebeldes sexuais, temos orgulho de enfrentar as consequências de não escondermos a nossa identidade sexual ou de género. Temos orgulho de termos sobrevivido à nossa orientação sexual ou identidade de género fora da norma numa sociedade que nos condena ao silêncio e à vergonha (muit@s não sobreviveram). Nas nossas marchas, celebramos o orgulho de quem recusa a carga moral de culpabilidade que nos é imposta, quando seria tão fácil continuarmos a esconder os nossos desejos e apenas fingirmos “ser normais”.

Não estamos orgulhosos da nossa orientação sexual, deixamos isso – e quaisquer definições de “normalidade” – para heterossexuais homófobos. Temos orgulho, sim, de escolhermos vivê-la, mesmo quando isso faz de nós alvos de discriminação e violência. Temos orgulho por oposição à vergonha. Temos orgulho nas lutas de longo prazo que tant@s travaram e travam contra a criminalização ou medicalização das nossas identidades e pela construção árdua dos nossos movimentos sociais. Temos orgulho na força, no esforço, nos sacrifícios que tantas pessoas LGBT assumiram ao longo da História para sair do armário e exigir dignidade. Temos orgulho na imensa variedade das nossas expressões e formas de expressão. O orgulho LGBT é necessário como o “black is beautiful” foi necessário nos anos 60 norte-americanos: como então, muit@s de nós continuamos a sentir culpa, vergonha e auto-depreciação por aquilo que somos. Sem orgulho, as novas gerações LGBT em tantos países estariam condenadas à mesma existência clandestina que os seus predecessores combateram. No processo da sua auto-descoberta, muitas gerações têm tido, pela primeira vez, a possibilidade de crescerem como LGBT com referências positivas do que isso significa, e com menos referências negativas.

Nenhum outro motivo senão Orgulho motivou a histórica revolta de Stonewall - na origem do actual movimento lgbt -, quando o desejo de dignidade se traduziu em resistência à violência policial. Quando a nossa vida pessoal condiciona os nossos direitos cívicos, deixa de ser “privada” e torna-se “política”. E precisamos de ser visíveis hoje para que amanhã não tenhamos necessidade disso, quando as pessoas deixarem de ser definidas com base na sua identidade sexual ou de género.

“Dar a cara” continua, infelizmente, a ter consequências negativas. Mas é mesmo por isso que é preciso que cada vez mais gente saia do armário ou, pelo menos, se envolva com o associativismo LGBT: para inverter essa situação injusta. Para que um dia “dar a cara” seja tão natural como lavar os dentes e seja tão banal que não acarrete discriminação.


> Seguinte...


Manifesto 2003 | Direitos Humanos: direitos para todos os seres humanos, direito à vida privada | Sair do armário? assumir a tua homossexualidade ou bissexualidade | Adopção e Parentalidade | Por um Desejo de (En)Globalização | Faltam Factos às Uniões | Fórum Social Português - Lisboa_Cidade Universitária - 7>10 Junho 2003 | 28 de Junho: Orgulho de Quê? | Comemorações Orgulho LGBT 2003 | “As lésbicas não são discriminadas” | A Transexualidade em Portugal | Amor Próprio | O Sexo da Literatura | Manifesto | Dois contos adoptados | O Meu Filho é Homossexual. E agora? | ©2003 el gêbêtê
Site realizado por PortugalGay.PT. email: info@portugalpride.org.
©2001-2022 PortugalGay.PT.