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Metropolitano
Segunda-feira 9 de Julho de 2001 (artigo página inteira)

ALGUMAS ASSOCIAÇÕES JULGARAM-SE CONVIDADAS VIP E HOUVE UMA CERTA CONFUSÃO NA HORA DE ENTRAR PARA A FESTA GAY QUE DECORREU SÁBADO À NOITE A BORDO DO UM BARCO ANCORADO EM MASSARELOS. UM PEQUENO INCIDENTE QUE NÃO AFECTOU A ANIMAÇÃO DO PRIDE DO PORTO, UMA FESTA DE ONDE NINGUÉM QUERIA ARREDAR PÉ

Festa Gay durou até de manhã

PAULA JOYCE

0 primeiro Pride do Porto, organizado pelo PortugalGay, teve a participação de quase mil pessoas, num barco relativamente pequeno, e "foi preciso começar a varrer o chão às 9 da manhã, para as pessoas se irem embora", disse João Paulo.

Acabou muito bem uma festa que começou com alguma contestação por parte de várias associações gay que queriam entrar sem pagar e sem terem avisado antes a pretensão de estar presente. Mesmo assim, a festa animou e a rua parou para ver os shows no deck superior do barco, com travestis e drag queens.

0 PortugalGay reconhece que houve um ponto da organização que falhou, por falta de experiência. Logo ao princípio, muitos jornalistas quiseram ver o que se passava e a entrada não foi facilitada com livres trânsito porque ninguém se tinha lembrado. Mais tarde, o problema foi resolvido. Na mesma altura, algumas associações gay disseram-se boicotadas porque, como tal, não tinham direito a entrada livre, apenas como clientes normais. João Paulo explicou que antes da festa, e assim que se soube que esta iria ser num barco, espaço bem mais pequeno, comprometerem-se com a Abraço, dando-lhes espaço para uma banquinha, dado que esta associação foi a que intercedeu para que o Porto Pride se pudesse organizar, nomeadamente nos Clérigos. E avisaram as outras associações que não iria ser possível, como tinham previsto, dar espaço a toda a gente. Mas a Opus Gay e a Nós telefonaram e ficou combinado que, não obstante isso, qualquer material que quisessem distribuir poderia ser espalhado pelos vários bares e que seriam todos bem vindos. "0 que nós não contávamos era que, sem aviso, aparecesse imensa gente até de associações de Lisboa, dizendo que eram da organização, a quererem entrar sem pagar. E não deixámos. Mas quem quis pagar, entrou, claro".

Pares heterossexuais à vontade com o ambiente

Disso tivemos a prova, já que havia muitos pares de namorados heterossexuais que estavam na festa, divertidos e à vontade com o ambiente "de loucas", como dizia um travesti. No andar mais baixo, dançava-se e namorava-se mais em privado. No andar de entrada, havia drag queens em cima dos balcões, algo entre o ser humano e o felino, a dançar e a provocar a dança. No andar superior, descoberto, havia espectáculos de meia em meia hora. Um dos mais espectaculares foi uma recriação de Bette Middler em "The Rose", um performance de Susana, que horas mais tarde não resistiu a saltar para o rio e nadar um bocado.

Eram 5h30 e a festa não parava

Às 5h30, se uns saíam, outros continuavam a entrar e a festa não parava. Havia à-vontade, corpos que se tocam sem se encolherem e os sorrisos e gargalhadas espalhavam-se noite fora. Homem, mulher, não existia, era tudo gente feliz. Mas não se pense que era tudo platonismo - os preservativos em cima dos bares foram desaparecendo ao longo da noite. No aspecto do serviço, todos os bares funcionaram bem, havia excelentes sanduíches e por isso só o extremo cansaço podia obrigar alguém a sair. Os dois elementos do PortugalGay estavam radiantes porque nunca pensaram que um primeiro Pride no Porto tivesse tanta gente. 0 cálculos mais optimistas apontavam para 600 pessoas. E, noite fora, houve muitos que perguntaram quando ia ser a próxima gay party.

O sol despontou no rio, o céu aclarou e a manhã, ainda suave, dava uma nova frescura a toda aquela festa cheia de lantejouIas, penas e lamés. Quem estava, independentemente da orientação sexual, dizia-se muito contente e a noite foi fabulosa.


Jornal O Comércio do Porto

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