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Porto
Segunda-feira 8 de Julho de 2002

Festa no Teatro Sá da Bandeira
Duas mil pessoas foram ao «Porto Pride»

Patrícia Gonçalves

Homossexuais, lésbicas, transgenders, bissexuais e heterossexuais. Ao todo, cerca de duas mil pessoas estiveram anteontem à noite no Teatro Sá da Bandeira para passarem horas de diversão, sem preconceitos e sem os olhares reprovadores da sociedade.

A «Porto Pride» deste ano "foi um sucesso", conseguindo superar as expectativas iniciais. A festa, que ocorreu pelo segundo ano consecutivo, conseguiu chamar duas mil pessoas, o dobro das que estiveram na edição de 2001. Em declarações a «O Primeiro de Janeiro», João Paulo, membro do portal PortugalGay.pt – organizador do evento –, mostrou-se satisfeito com a adesão, sublinhando que o aumento do número de pessoas já estava previsto. Por isso, explicou, "a transferência da iniciativa para o Sá da Bandeira".

Mas mais do que os números, aquele responsável realçou o facto de terem conseguido chamar muitos heterossexuais. Sob o lema de que é "preciso desmistificar o bicho papão da homossexualidade", o facto de ter havido "muitos heterossexuais a frequentar a festa e a divertir-se", pode ser um dos primeiros passos aquele objectivo. "Muitos vieram-nos dar os parabéns pelo espectáculos que realizamos", congratulou-se João Paulo.

A discriminação

Apesar da festa, a verdade é que o tabu e os preconceitos que estão ainda inerentes à homossexualidade não são esquecidos. Isso mesmo foi provado pelo facto de a recolha de imagens no recinto da festa ser proibida. Nem todos estão preparados para dar a cara. Nem todos têm coragem para assumir a escolha da sua própria sexualidade. "Há pessoas que dependem de terceiros para viver e nem sempre há, desse lado, a abertura para perceberem que a escolha sexual de uma pessoa não tem qualquer tipo de implicação no seu trabalho", lamenta João Paulo.

Mas no Sá da Bandeira qualquer tabu e inibição foi deixado à porta. Ali dentro apenas reinava a festa, em que o convívio, os espectáculos e a música foram as tónicas dominantes. Pela noite dentro, passaram pelo palco do velho teatro a animação de DJ’s convidados, bem como várias actuações de transformismo.

Uma causa nobre

Para além da diversão, a «Porto Pride» é também favorável a uma causa nobre, já que parte significativa das verbas obtidas com a iniciativa reverte a favor de instituições de solidariedade social ou apoio a seropositivos. Na edição do ano passado, por exemplo, foi possível doar ao Hospital Joaquim Urbano cerca de dois mil euros. Este ano, ainda não foram feitas as contas mas com o aumento do público é certo que a quantia vai subir. Cada pessoa pagou 10 euros de entrada, quantia que lhe valeu também a primeira bebida. Recorde-se que, depois da primeira edição ter sido a Sonae a proibir a realização da «Porto Pride» no Clérigos Shopping, este ano a festa esteve também envolta de polémica, depois de o líder da Juventude Popular do Porto, Miguel Barbosa, ter afirmado que iria pedir ao governador civil o impedimento de qualquer manifestação no âmbito da Semana do Orgulho Gay. Uma atitude que se repercutiu uma série de críticas, quer das associações de homossexuais, quer, inclusivamente, dentro do próprio partido.


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